quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pimenta nos olhos

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” – Mt 5.6
Já a algumas semanas que estou a meditar sobre muitos casos que a mídia tem noticiado, sobre as realidades brasileiras.
O primeiro ponto a destacar é o vergonhoso desfecho do caso Pimenta Neves, uma demonstração pública de que a Justiça Brasileira não é imparcial nem justa, e muito menos humana. Ela é mais um dos elementos que ajudam a demonstrar o quão defasada e o quão desumana é a luta de classes nesse país.
Pimenta Neves, um assassino confesso, que por pertencer à elite brasileira, por onze anos, graças a seus excelentes advogados, gozou, apesar de condenado, de perfeita liberdade. Muitos já nem acreditavam mais que um dia se findassem os inúmeros recursos que o mantinham fora da cadeia, apesar do crime hediondo que cometeu.
Por que não funciona assim para todos?
O sistema prisional brasileiro é sucateado, e pode ser considerado com padrões medievais no que tange ao cuidado com os seres humanos, que fazem parte dele. É um sistema que não corrige, não educa, não transforma, ao contrário, cria através da raiva e do ódio, devido ao descaso, corrupção, desumanidade do sistema, um exército de homens e mulheres que vão necessitar de muitos anos para se livrar de todos os danos provocados por este sistema desumano. Eu pergunto: a Justiça Brasileira é movida pelo dinheiro e pelo poder?
O que vemos através do caso Pimenta Neves e outros mais é que sim, pois um cidadão pobre fica na cadeia até mesmo se for inocente, pois a morosidade da justiça lhe impede de sair até se for provado sua inocência. Por que os ricos e poderesosos não são levados em camburão, algemados, como qualquer outro cidadão pobre?
Quando penso que a polícia brasileira ainda se utiliza da tortura para resolver os inquéritos, e vejo ricos e poderosos debocharem da sociedade, eu me pergunto o porquê dos  policiais ainda utilizarem de toda truculência e violência para com os pobres e não fazerem o mesmo com os ricos. São perguntas que a sociedade precisa de respostas, pois isso nos deixa indignados. O governo brasileiro gasta mais dinheiro produzindo violência do que lutando para que ela não aconteça. A prova disto está que em cada subida da polícia ao morro, várias pessoas são mortas, e sempre há justificativas. O Estado parace não saber produzir vida, a solução está na morte, assim é nas ações da polícia, no atendimento nos hospitais, na forma de atender o cidadão nos postos do INSS. A pobreza se resolve  com a morte, é mais barato, depois é só jogar em cova rasa.
Enquanto isso, os ricos e poderosos zombam da nossa cara ao vivo e a cores. Tudo tem uma intenção de mais busca de poder, é só ver como agem os principais governos. Não importa se para resolver o problema com o Osama Bin Laden os EUA se utilizou da tortura para conseguir confissões. No final, se resolve o problema matando. E isso é largamente copiado aqui no Brasil, é só observar como os governos resolvem o problema. Assim foi no Carandiru, assim é na periferia. A força de extermínio do Estado sai sempre que necessário e elimina o problema, e enquanto isso Pimenta Neves, Lalau, Roger Abdelmassih, e outros mais então rindo nos seus poderosos castelos. Pimenta nos nossos olhos é refresco.
E a igreja, o que faz enquanto isso?
Faz brigas de divisões e facções em busca de poder local, assim como o senhor Malacheia está fazendo para implantar a todo custo seu poder local nas “emprejas” AD, do Brasil, com sua nova logomarca. Outros continuam a proclamar o evangelho das vantagens, em troca dos dízimos e ofertas, para a construção das megas “emprejas”, para o lucro e deleite pessoal.
Onde está a busca por justiça que Jesus falou? Acredito que ainda exista quem o faça. Pois nem tudo está perdido, pois assim nos declara l CO 11:19:” E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.”
Que a fome e sede de justiça cresça no meio da igreja, pois o mundo necessita do verdadeiro Evangelho de Cristo.
“O Brasil não precisa de apóstolos, nem patriarcas, com suas fórmulas mágicas que envergonham o Evangelho de Cristo,  com sua teologia da prosperidade, que nada tem a ver com a realidade dos que sofrem neste país. Chega de vergonha, pois o amor e a Graça de Deus nos basta. Voltemos ao Evangelho puro e simples.”
Postou Paulo Siqueira no Pedras Clamam

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